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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Numa entrevista exclusiva a Gatofedorento.com, os quatro autores respondem a perguntas. Mas não necessariamente às que lhes foram feitas.

 

Gatofedorento.com (GF): Como é que comemoraram os 15 anos do Gato Fedorento?

RAP: – Olá. Gostava muito de participar nesta entrevista, mas sinto que não tenho muito para dizer sobre estas questões. Por isso, vou responder antes a uma entrevista que o Correio do Alentejo fez à Tonicha em 2007. A resposta à primeira pergunta é: sim, é sempre um prazer ir a Beja, mas eu não me consideraria um “filho da terra”, pois nasci em Lisboa.

ZDQ: – Comemorámos com uma bonita cerimónia privada, uma missa no local onde redigimos a primeira piada, as antigas instalações do restaurante Varanda do Rato. Se bem que o Gato Fedorento é algo que celebramos diariamente, em nossos corações. 15 anos é a idade da mudança de voz, o que explica a confusão das respostas.

MG: – Antes de mais, para se atestar do grau de profissionalismo deste projecto, foi uma jornalista, que contactou o Ricardo para nos fazer uma entrevista, que nos informou que iríamos em breve fazer quinze anos. Ainda dizem mal do papel da comunicação social… que não informam bem as pessoas. Aqui está um caso que prova o contrário.

TD: – Comemorámos como comemoramos todos os aniversários do Gato Fedorento: alugámos um iate, fomos até Ibiza, mandámos fechar um clube, convidámos DJs e as modelos da Victoria’s Secret e deixámos o Veuve Clicquot correr.

 

GF: – Quais são as principais diferenças entre fazer humor quando começaram e agora?

ZDQ: – Agora, por causa do aquecimento global, a maioria das vezes o humor é produzido em mangas de camisa. Além disso, por causa do policiamento da linguagem que agora é costume fazer-se, há uma série de termos e temas que, a serem usados, causam um grande charivari. Principalmente, nas redes sociais. Não quer dizer que, se estivéssemos a fazer algum programa, evitássemos esses termos e temas. Usaríamos esses termos e temas, se calhar até com mais insistência, só para irritar quem deseja proibir esses termos e temas.

Neste momento as piadas enfrentam uma espécie de exame prévio. Antes de saber se têm graça, há quem avalie se são aceitáveis. Por causa dos termos e temas.

RAP: – Bom, na verdade o meu tio-avô nunca foi chefe da estação dos caminhos de ferro do Barreiro. Mas sempre gostei muito de comboios, até porque é um dos meios de transporte menos poluentes. Devemos preservar a natureza, que é bastante bela, como sabe.

 

GF: – Porquê um site só agora, 15 anos depois?

ZDQ: – Porque a minha filha só tem 7 anos e não era ainda nascida quando o Gato Fedorento estava activo. O site é a maneira de provar que houve uma altura em que o pai trabalhou a sério.

RAP: – A minha colaboração com José Cid acaba por ser menos vasta do que se imagina. Uma vez, num espectáculo qualquer, ele ia actuar logo a seguir a mim e eu disse: “Senhoras e senhores, José Cid.” Mas sim, foi frutuoso e inolvidável.

MG: – Estávamos só a deixar passar algum tempo, a ver se se justificava toda a euforia em redor da internet, ou se era um daqueles fenómenos passageiros, como o fidget spinner, que são muito intensos mas que desaparecem depressa. Agora sim, estamos convencidos de que a internet é capaz de, no futuro, vir a ter alguma relevância no dia-a-dia das pessoas. E vai daí, pedimos aos nossos amigos da Upgrade para nos construírem um site.

TD: – “Só agora, 15 anos depois”? Bem bom! A Coca-Cola, por exemplo, só fez um site alguns 100 anos depois.

 

GF: – Qual é a vossa experiência com redes sociais?

MG: – Rigorosamente nenhuma. A minha mulher de vez em quando mostrava-me o facebook dela, mas até isso comecei a recusar, porque era invariavelmente para me mostrar a fotografia actual de um amigo ou amiga em comum da nossa adolescência. Porque é que eu hei-de querer ver o Fernando careca e a Margarida gorda? Agora que temos redes sociais do Gato Fedorento, eu entro no nosso facebook como administrador, visito a página, olho e tal, mas tenho o cuidado de não clicar em lado nenhum, com medo de, sem querer, carregar num sítio qualquer em que automaticamente partilho com todos os nossos seguidores o historial de pornografia do meu computador. Pelo sim, pelo não, fico muito quietinho e deixo a nossa agente, Anabela Ventura, mexer naquilo.

ZDQ: – O Facebook nasceu de um princípio nobre: permitir que totós informáticos engatassem miúdas. Mas eles não perceberam que não engatavam raparigas precisamente por serem totós informáticos, e o facto de se porem ao computador a criar um site aumentava a sua totosice informática, piorando ainda mais as hipóteses de engate. Portanto, as redes sociais laboram neste equívoco original. O que explica a acrimónia de alguns dos seus utilizadores.

Nas redes sociais as pessoas acham normal que sucedam coisas que, na vida real, são inaceitáveis. Por exemplo, vamos supor que eu compro uma Playboy. No dia seguinte, um desconhecido aborda-me na rua e pergunta se estou interessado num aumento do pénis. Sinistro, certo? Ou embaraçoso, caso eu esteja mesmo interessado e acabe por pedir mais informações ao sujeito. Mas, se pesquisar ‘Senegal’ no Facebook e começarem a aparecer anúncios de hotéis em Dakar, já acho uma agradável coincidência, não é? E se surgir publicidade a aumentos do pénis, melhor. Afinal, trata-se do Senegal. Não vou querer fazer feio.

RAP: – Só lançarei o 18º álbum de originais depois de lançar os primeiros 17. Portanto, em princípio o público não deve contar com isso tão cedo.

 

GF: – Mas, seja como for, vocês agora têm, pelo menos, facebook e instagram. Qual é a vossa estratégia nesses meios?

RAP: – Não concordo consigo. Acho que as comunidades portuguesas por esse mundo fora não têm vontade nenhuma de me ouvir cantar. Nunca me chegou o mais pequeno rumor nesse sentido.

MG: – A minha principal observação sobre o mundo das redes sociais é que há muita ansiedade. Nisso, as redes sociais têm muito em comum com um churrasco: aparece sempre muita gente a dizer que não vai funcionar, que não é assim que se fazem brasas, que é preciso mais pinhas. Já me disseram isto sobre o nosso facebook, que tínhamos de pôr lá mais pinhas. Mas vamos tentar fazer isto à nossa maneira, tentar uma coisa nova: gerir as redes sociais sem ansiedade. Se as pessoas sentirem que o ritmo de publicações não é suficientemente alucinante para elas, há drogas que podem tomar para ter o tipo de sensações que procuram.

TD: – A nossa estratégia é ganhar muito dinheiro com esses meios, comprar esses meios, e mandar fechar esses meios.

 

GF: – Para já, no vosso canal de youtube limitam-se a repostar sketches antigos. É possível no futuro fazerem vídeos originais?

MG: – Não afastamos essa possibilidade, mas para já vamos colocar sketches antigos sempre que se justifiquem pelo que vai acontecendo em termos políticos, sociais, desportivos, etc. Se se fala em companhias aéreas low cost, nós colocamos a Javard Air. E por aí fora. Basicamente, encontrámos uma maneira de comentar a actualidade sem trabalhar.

ZDQ: – É uma boa questão. Não só para nós. Será que, no futuro, se poderão fazer vídeos originais? Ou sairá uma lei que obrigue os humoristas a fazerem sempre o mesmo sketch, mudando só o guarda-roupa e o sotaque?

Confesso que tenho receio de fazer uma coisa nova e, sem a desculpa de ser antigo e de estar na memória das pessoas, o público perceba que não tem graça nenhuma.

TD: – É pouco provável porque desnecessário: como se comprova pelos sketches que vamos pondo no site, tivemos o cuidado de deixar já material feito sobre todos os acontecimentos que possam vir a ter lugar.

RAP: – Sem dúvida nenhuma, 1988.

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